Curta metragem: E agora solidão…

Mais um curta metragem que tive a oportunidade de participar, desta vez no papel do protagonista. Carlos, é um cara mulherengo, que adora curtir as noitadas nas baladas da cidade, e dá pouca importância para sua namorada Juliana. Mas o destino reserva duras provas para Carlos e Juliana, que se veem amarrados em uma situação bastante delicada e de difícil aceitação.

A produção do filme é de Fábio Tancreda e Márcio Dias, e o roteiro e direção são de Luis Plácido, que também produz um programa bastante interessante chamado Destino Portugal. Confiram!

ELENCO
Carlos – Mateus Lopes
Juliana – Juh Ferraz
Amigo – Fábio Tancreda
Motorista – Márcio Dias
Amante – Luis Plácido
Mulheres – Dri Cassimiro, Denia Penny, Samira Duarte

Curta metragem: “Cante lá, que eu canto cá” de Patativa do Assaré

Este curta metragem é baseado na poesia “Cante lá, que eu canto cá” de Patativa do Assaré.

Neste curta eu tive a oportunidade de participar como ator e compositor da trilha sonora original. Foi um grande prazer poder participar deste trabalho, em parceria com duas amigas queridas que considero grandes artistas Taisa LiraAline Benedito, diretoras do filme.

O curta recebeu o prêmio de Melhor Direção Olhar Caiçara Independente no Curta Santos 2010!

Segue abaixo, na íntegra, o texto da poesia “Cante lá, que eu canto cá” de Patativa do Assaré.

CANTE LÁ, QUE EU CANTO CÁ

Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.

Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.

Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.

Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.

Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de ôro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito,
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.

Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.

Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dizê que não mêxa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.

Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.

Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô.

Seu verso é uma mistura,
É um tá sarapaté,
Que quem tem pôca leitura
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.

Canto as fulô e os abróio
Com todas coisa daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se bulí.
Se as vêz andando no vale
Atrás de curá meus male
Quero repará pra serra
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um divule de rima
Caindo inriba da terra.

Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.

Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça,
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro mando,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.

Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito metá.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.

Sua vida é divirtida
E a minha é grande pená.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá:
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mió do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.

Eu não posso lhe invejá
Nem você invejá eu,
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.

Aqui findo esta verdade
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve tomá.
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.

Patativa do Assaré

A beleza está nos olhos de quem vê

Este vídeo, é uma campanha realizada pela Dove, chamada “Real Beauty Sketches”, traduzido “Retratos da Real Beleza“, com o objetivo de trabalhar a autoestima e a autoconfiança de mulheres em todo o mundo. A estratégia da campanha foi a de conduzir um experimento social, bastante convincente, para provar às mulheres que elas são mais bonitas do que pensam ser, e que elas próprias próprias são suas piores críticas quanto a própria beleza. Diz o estudo que apenas 4% das mulheres em todo o mundo consideram a si mesmas bonitas.

Para realizar o objetivo proposto, foi contratado um desenhista profissional, que trabalhou durante anos no departamento de polícia, desenhando retrato falado. Esse profissional foi então colocado numa sala, onde cada uma das participantes da pesquisa primeiro, descreveram a si mesmas enquanto o desenhista as retratava, sem contato visual, e depois, foi a vez das outras convidadas descreverem suas colegas, as quais haviam sido apresentadas anteriormente, para que o profissional pudesse então desenhar um novo retrato com base na descrição de outra pessoa. Após o término, os desenhos foram expostos de forma que cada participante, pôde, então, comparar a imagem da descrição que fez de si mesma, com a da descrição que outra pessoa fez dela.

Em poucas palavras: Como você se vê, e como os outros te veem.

Considero que o tema desta campanha, que prefiro chamar de estudo, é da maior relevância e atualidade, trazendo em si uma série de reflexões importantes, não somente para mulheres, mas para qualquer ser humano independente de gênero. Pois cada ser em si é portador de amor próprio, auto-estima, vaidade, autoconfiança, ou seus pólos negativos como falta de amor próprio, baixa autoestima, vaidade excessiva ou insegurança, sendo que a auto-opinião negativa, infelizmente, corresponde à maioria esmagadora de 96% das mulheres em todo o mundo, de acordo com a pesquisa.

Penso que os fatores sentimentais ou emocionais, relacionados ao problema da autoaceitação, teem sua origem em duas forças principais:

1) Os impulsos naturais do indivíduo, ou a individualidade propriamente dita
2) Os fatores familiares, sociais, culturais e ambientais vividos pelo indivíduo

No fator individualidade, cada ser é único, e desde a infância podemos observar maior ou menor grau de maturidade em cada criança, em relação aos mais diversos assuntos. O que para algumas é motivo de tristeza, para outra uma mesma situação nada pesa e a criança é capaz de transmutar o negativo em positivo com grande simplicidade e desapego. No entanto, de forma geral, as crianças são mais puras e menos viciadas nos padrões de aceitação da sociedade, pois ainda não foram expostas a carga pesada dos valores de beleza e status, ensinados pela sociedade. Eu gostaria muito de ver esse mesmo estudo, sendo realizado com crianças, para saber qual seria a taxa de autoaceitação delas. Imagino que, dependendo da idade, veríamos um nível inverso de autoaceitação. Talvez 96% das crianças se considerem bonitas e apenas 4% se considere feia. Quem sabe?

Se eu estiver certo, então essa taxa está sofrendo uma inversão ao longo da vida. Ou seja, conforme crescemos, vamos perdendo nosso amor próprio, vamos perdendo a naturalidade e autoaceitação pura da infância, e passamos a tentar corresponder aos padrões do segundo fator que mencionei acima. Família, sociedade, cultura e ambiente são os componentes que nos formam e nos educam, ou talvez nos deseducam na sociedade atual.

A família é, ou deveria ser, a base principal na formação do caráter e dos valores do indivíduo. Mas para que a família eduque, é preciso que seja também educada. E o que vemos da instituição familiar no mundo de hoje? Pais que educam pela violência, que nunca tem tempo para os filhos, que criticam, deprimem e bloqueiam as manifestações expressivas ou criativas de seus filhos, que nunca utilizam o elogio ou o incentivo para maior autoaceitação no processo natural de desenvolvimento do caráter.

E a criança cresce, e, num processo natural, começa sua integração com a sociedade e a com a cultura do ambiente em que vive. Eis então o grande palco, onde o espetáculo da vida ganha corpo e segue em seu processo de desenvolvimento do indivíduo. E quais os valores que são ensinados pela nossa sociedade? Os valores da estética perfeita, da imagem acima do conteúdo, do que os outros pensam de você ao invés do que você pensa sobre si mesmo. São os valores da competição, da comparação, do quem tem mais acima do quem tem menos, do parecer ao invés do ser. Valores planejados, formulados e divulgados através das artes e das mídias. São novelas, filmes, músicas, livros, revistas, noticiários de televisão, propagandas, enfim, um bombardeio de mensagens de negativismo constantemente trabalhando para nos transformar em seres amedrontados, inertes, deprimidos e credores de total incapacidade de fazer algum diferença, ou de mudar as coisas.

Sim, vivemos numa sociedade miserável, mas não de recursos materiais, pois esses são abundantes, apesar de mal distribuídos ou inacessíveis pelo próprio egoísmo do homem – afinal, toda a comida que é jogada fora, todos os dias, poderia matar a fome do mundo – mas somos miseráveis de amor, de carinho, de autoestima, de autoconfiança e confiança no próximo, somos miseráveis pelo egoísmo dos que estão no poder, pela corrupção e pela pressão dos padrões de aceitação, baseados na beleza, no status e no poder financeiro.

Infelizmente, a família e a sociedade, estão falhando em formar pessoas capazes de expressar o seu amor por si mesmas e pelo próximo em toda a sua plenitude!

Se devemos amar uns aos outros, como a si mesmos. Então, em primeiro lugar, creio que devemos aprender o amor próprio, para, então, compartilhar esse amor com quem quer que cruze o nosso caminho.

Parabéns Dove, por esta pesquisa, e pela excelente oportunidade de reflexão.

 

As 4 Leis da Espiritualidade ensinadas na Índia


“A pessoa que vem é a pessoa certa“.

Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

“Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

“Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

“Quando algo termina, termina“.

Simples assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência.

Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

Como assim a Verdade não existe?!?


E disse-me o sujeito: Não, não existe a verdade!
Ora, mas que? E dizes tal, com qual autoridade?

Pesquisastes então a verdade, ao limite dos teus limites,
buscando-a não somente no convívio com a sociedade,
mas também no interior profundo de teu espírito,
desvendando a verdade com o melhor de tua habilidade?

Não?

Então talvez, tenhas exaurido teu ânimo, a tal ponto ao buscá-la,
que do ânimo descobristes ter mais do que pensavas?
E tanto quanto mais motivou-te à alcançá-la,
tornaste-te, a ti mesmo, um homem melhor do que imaginavas?

Não?

Então buscastes ler a vida e a obra dos grandes homens,
aqueles que suas vidas dedicaram à verdade conhecer,
enriquecendo assim teus argumentos, que, a mais do que já tens,
formaram então base forte, onde tua busca encontrou apoio e o rumo ao norte?

Não?

Então, ao menos, admites que nascestes um homem abençoado,
conhecedor da verdade máxima de que a Verdade não existe,
e que Dela, tú não precisas, pois não lhe valerá um centavo?
Dedicar-se à pesquisa de algo que não existe? Tú insistes!

E repetes: A verdade não existe!
Então pergunto: És ladrão?
Me respondes: Não! Por que? O que isso tem que ver?
Eu: Não és?! Tens certeza? Seria isso mentira?!
E tú: É claro que é mentira! Não sou ladrão.
Eu: Então é verdade que não és ladrão?
Tú: Sim!
Eu: Mas como pode isso ser verdade, se a Verdade não existe?
Tú: …
Eu: Será que és?
;)

A verdade é algo muito simples para que possamos compreender,
mas é também, a princípio, um desafio colocá-la em prática.
E a simplicidade da verdade que Jesus recomendou conhecer,
é tão elementar e verdadeira, que sua estratégia se resume em uma tática:

SER VERDADEIRO!

A Verdade que nos liberta é um comportamento,
ser verdadeiro é importante, em ações e pensamentos.
A Verdade não pretende ser somente o conhecimento,
de tudo o que existe no mundo, no espaço e no tempo.

O homem se confunde em argumentos racionais sobre a verdade,
achando que ela é o conhecimento científico final do universo.
Desse ponto de vista, olham para a verdade em termos de quantidade,
qualidade e aplicabilidade, sobre assuntos que nem cabem nesses versos.

Fosse assim, confesso, estariam certos os argumentos,
de que a verdade não pode ser de todo conhecida.
Em termos de conhecimento, é preciso estudar os fundamentos,
de tudo o que é, e do que há, no mundo, no céu e na vida.

Se o sábio Jesus nos propusesse tal máxima:
“Buscareis a Verdade, e Ela vos libertará.”,
querendo dizer que devemos ser máquinas,
pois sem tudo aprender, tal liberdade jamais se dará… ?

Se assim fosse, Jesus que me perdoasse,
pois a verdade que nos recomendou procurar,
estaria de nós ainda tão longe do alcance,
como longe está o fim do universo a encontrar.

Portanto, o sábio homem que cuidou de a Verdade a nós recomendar,
sabia que a Verdade, como ele propôs, era simples de entender.
Porém, por exigir do homem que com a Verdade venha a se comportar,
torna-se a mais difícil das tarefas, pois, quem nada tem para esconder?

Portanto, em o homem se comportando de forma verdadeira,
com sinceridade, simplicidade, humildade e transparência.
Jamais mentindo, distorcendo ou iludindo a quem queira,
assumindo a responsabilidade sobre a Verdade de sua vivência.

Esse homem, em grande liberdade já está!
Pois que vive sem algo que condene em si mesmo.
E nem é atormentado pelos fantasmas da mentira,
que novas mentiras exigem para sustentar seu apego.

Tal homem conquista também, a confiança de todos que cruza,
pois sua alma reflete tal luz, que por todos é percebida.
Os bons, dessa luz se alimentam, pois a luz da verdade é nada difusa,
e há outros que dela se invejam, e até contra ela planejam investidas.

Homem, portanto, sê verdadeiro!
Pensa na liberdade que tanto desejas,
e saiba que ela não vem pelo dinheiro,
mas pelo tesouro que na alma cultivas.

Dinheiro é importante para o nosso sustento,
e nos dá a liberdade de materializar os desejos.
Mas, de tal liberdade que se esvai com o vento,
o homem verdadeiro a valoriza um tanto menos.

Não pretendo, contudo, sobre a verdade dar definição.
Está é apenas mais uma face da Verdade,
portanto, sobre a própria Verdade em questão!
Mas e eu… digo isso com qual autoridade?

A de quem busca a Verdade,
com todo o amor do coração,
e ainda dá os primeiros passos,
na estrada da eterna evolução!

Mateus Lopes – 18/04/2013